Na exposição do Fernando Sabino, na PUC, pude ver o que tinha escrito no epitáfio do autor de ‘O menino no espelho’:
‘Aqui jaz Fernado Sabino, que nasceu homem e morreu menino’
***
Pois eu vi, de dentro do campo. Enquanto a bola rolava, o senhor do lado de fora – pai de um dos nossos amigos - esperava sua vez de pisar o gramado.
Aquecia timidamente, de maneira atabalhoada. E quando entrou no campo justificou minha desconfiança. O tronco parecia querer um destino. As pernas outro. Desengonçado, corria de um lado a outro, sem disfarçar seu constrangimento silencioso. Talvez uns 20 anos sem tocar a bola.
De repente a pelota sobra caprichosamente. Ele e o gol. Num chute certeiro, vence o goleiro. E pronto! Emerge a criança escondida.
Ele corre a comemorar. E retoma seu posicionamento naquele pequeno gramado de pelada, agora o Maracanã de seus sonhos infantis. À espera de ver ansiosamente a bola rolar de novo.
Seus olhos, brilhantes e eufóricos agora, entregam: vivo novamente!
Sonhos não envelhecem.
Veja: Zeitgeist, The Greatest Story Ever Sold
Ouça: Não me arrependo (Caetano Veloso) posted by RFerraz
10:13 PM