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Sábado, Novembro 24, 2007


A pulga e o capitalismo

O mais intrigante, e ao mesmo tempo sedutor, de se estudar História é constatar a influência de fatos 'menores', da ação de agentes que passariam como insignificantes, em grandes transformações do passado.

Dia desses tive contato com uma das provas mais interessantes de que a história gira em torno de fatos corriqueiros, que se desenrolam bem ali debaixo de nossos narizes e podem, no entanto, fazer uma revolução radical em nossas vidas. A Peste Negra.

A doença - que não era novidade, pois seus primeiros indícios datam de 1300 a.C - fez um baita estrago, dizimando um terço da população européia durante a epidemia do século XIV.

A peste era facilmente transmissível. Há também relatos bizarros sobre pessoas que ao se descobrirem infectadas, cuspiam, revoltadas, na água que outros iriam beber.

Porém, o mais intrigante, e o que me fez refletir sobre a fragilidade da vida e a 'pequenez' dos detalhes de grandes fatos, foi a Peste Negra ser oriunda do vômito da pulga dos ratos!

Esse minúsculo inseto, e seu perigoso regurgito, foram responsáveis por uma das doenças mais fatais da história. Que, junto com outros fatores como a fome e as chuvas, amedrontou a Europa e abalou a economia. Influenciando diretamente na Crise do século XIV, comprometendo seriamente o feudalismo vigente e abrindo as portas (e as pernas) para o capitalismo que reina até hoje.

'Cidades ricas foram destruídas e abandonadas pelos seus habitantes desesperados à procura de um lugar com ar puro e sem pessoas infectadas. Os servos morriam e as plantações ficavam destruídas por falta de cuidados' (Hilário Franco Jr. - Idade média: nascimento do Ocidente)

Um último dado, que também revela uma ironia (negra) em nossos tempos de embate de paradigmas Ocidente X Oriente: há fortes indícios de que esses ratos e suas pulgas, que ajudaram a transformar a realidade ocidental, eram trazidos pelos navios... do Oriente!

Ouça: Partiu partindo (Fino Coletivo)
Veja: Vanilla Sky (Cameron Crowe)
Leia: A estrutura da bolha de sabão (Lygia Fagundes Telles)



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