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Quarta-feira, Outubro 24, 2007


Apologia ao outro lado

Antes de começar a ler, clica aí com o botão ESQUERDO do mouse, optando por "abrir em uma Nova Janela": http://br.youtube.com/watch?v=BSaX9csYWMw Agora vá em frente, deixando rolar o som.


Venho aqui atentar para mais uma extinção eminente: a da tristeza. Estão tentando eliminá-la de nosso dia-a-dia.

Hoje, se estamos tristes, torna-se algo quase patológico. Ou patológico mesmo! Quantas pessoas você conhece que dizem ter depressão?

De início minha desconfiança era de que como somos uma sociedade de consumo – logo, consumidores e não cidadãos - a implicância com a tristeza estaria justificada. Já que pessoas tristes não consomem tanto quanto as felizes (sei que há aquelas que compram para amenizar um momento de agonia, mas é uma minoria), Prozac nelas!

Mesmo sabendo que diversas características da nossa sociedade industrial – como a violência, a tendência ao individualismo excessivo, à competição desenfreada - influenciam de forma negativa a cabeça de muita gente (ainda mais as confusas de plantão) não se explica a multiplicação dos diagnósticos de depressão e de tantas “síndromes” nos dias de hoje.

Há sim uma teoria mais plausível: as pessoas correm da tristeza. Pois se acham, ou são julgadas pelas pessoas próximas, como doentes. Pelo simples fato de estarem tristes. Gente que não consegue ficar só, que se sente excluído de alguma forma de toda essa pseudo-onda-de-felicidade, utilizada de forma abusiva como ferramenta de incentivo ao consumo em propagandas, por exemplo. Beba Coca-Cola e seja feliz!

Pena, pois quem não tem paciência para a tristeza jamais saberá os benefícios da mesma: a introspecção, o auto-conhecimento, a reavaliação e o enfrentamento de suas próprias verdades. E ao final, sair disso tudo vivo e fortalecido. Pronto para ser autenticamente feliz de novo.

Tudo bem. Sei que tem aquele papo de “tristeza não tem fim, felicidade sim”. Baboseira! Se não tem fim, procure (aí sim!) um médico. Caso contrário, leia um bom livro, veja um bom filme, ouça um Pink Floyd. Aproveite e reflita, repense e, principalmente, sinta! Sim, pois que me desculpem os anestesiados, sentir é fundamental! Qualquer coisa que seja.

Ouça: Socorro (Arnaldo Antunes)
Veja: Hair (Milos Forman)
Leia: Ancestrais (Mary Del Priore e Renato Pinto Venâncio)



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Segunda-feira, Outubro 08, 2007


Amenidades...

.. que me chamaram a atenção esses dias:


- Dica de filme

O corte do diretor Costa Gravas. Já o conhecia pelo nome, mas não havia tido oportunidade de assistir a nada dele antes.
O filme conta, através de um humor ácido e negro, a história de um executivo da indústria do papel demitido graças a uma fusão de empresas. Após 2 anos desempregado, Davert decide elaborar um anúncio fictício de emprego no jornal. Passa a conhecer então o currículo de todos os seus possíveis concorrentes e decidindo por eliminá-los da maneira mais irônica: assassinando-os. Uma trama que traz à tona toda a paranóia e idealismos que nos rodeiam. Você não é o seu trabalho.

Árido Movie. Filme de Lírio Ferreira ambientado nos cafundós do sertão brasileiro. A questão da água, a ausência do Estado, sexo, drogas e rock’n roll, ou melhor, muito mangue beat. Sobre esse, deixo que a surpresa tempere, pois fica bem melhor.




- Dica virtual

Campanha da marca Dove pela valorização da beleza real das mulheres.

Vídeo bem legal, visto mais de 250 mil vezes no Youtube, que ganha ares de maior relevância em tempos de postiços e siliconados...

A frase que encerra o vídeo é ‘Fale com a sua filha antes da indústria da beleza’.

Abaixo o link:

http://br.youtube.com/watch?v=JaH4y6ZjSfE




- Dica de ética

O Radiohead (sonzeira!) anunciou que a venda de seu novo álbum In Rainbowns será realizada apenas em seu site a partir do próximo dia 10. Até aí nada demais. Porém, eis que a banda lança uma revolução na indústria fonográfica: o consumidor decide quanto quer pagar pelo álbum! Por curiosidade dei uma conferida e as ofertas, ao contrário do que se pensa, estão em alta. Vale a reflexão em tempos de crise de uma indústria que foge crescente e ironicamente de qualquer coisa relacionada à reflexão.



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