Cotidiano Crônico
corner



HOME

ARCHIVES


Textos sobre o cotidiano, o trivial. Vistos de um ponto de vista pessoal e crítico.

Links

Patavinas.

Marcelão.

Pri Barcellos.

Música Artesanal.

Ideafixa.

Confissões de um amigo imaginário.

Bonde da História.

Gustavo Bomfim.

L'Observateur.

Mauricio Coutinho.

Observatório da Indústria Cultural.

Carta Maior.

Baú de saudades.

Cocadaboa.

Pega no Meu Blog!.

O mentor.

Allan Sieber.

Brinquedo de Palavra.

Domingo, Julho 29, 2007


As coisas
Arnaldo Antunes / Gilberto Gil - 1993
Album: Qualquer (Biscoito FIno, 2006)

As coisas têm peso,
massa, volume, tamanho,
tempo, forma, cor,
posição, textura, duração,
densidade, cheiro, valor.
Consistência, profundidade,
contorno, temperatura,
função, aparência, preço,
destino, idade, sentido.
As coisas não têm paz.

Ouça: A cor do universo (Blues etílicos)
Veja: Um lugar na platéia (Danièle Thompson)
Leia: Dôra Doralina (Rachel de Queiroz)




Comments:

Quinta-feira, Julho 19, 2007


‘É somente requentar e usar'

A vendedora boa praça usava um óculos de grossas hastes brancas.

'Essa essência é maravilhosa. Depois de um dia de trabalho você relaxa os pés mergulhados nela misturada com água quente...', assim vendia já o segundo produto para minha mãe. Uma retórica impressionante ela tinha.

A loja era na verdade uma daquelas 'bancas' que ficam no meio do shopping, e que vendem produtos, digamos, esotéricos, tais como incensos, essência-para-os-pés-depois-de-um-dia-de-trabalho-estressante etc.

Foi então que a música me chamou atenção. Parecia Mozart, talvez. Eu olhava os CDs da prateleira quando a moça interrompeu-me:

'Acho que é Mozart. Mas temos outro de um cantor com nome esquisito também, que me fugiu agora'. A seguir me aponta duas indicações suas: 'Amanhecer' e 'Acordar Bem 2' (veja bem, já havia uma primeira tentativa!).

Eu e minha mãe já não conseguíamos disfarçar, rindo em frente à solícita vendedora.

'Falando em Amanhecer tenho essa essência aqui que combina perfeitamente com o começo do dia!', a essa altura já borrifando o frasco com um líquido azul, que empesteou o ambiente e nossa risada em segundos.

Fomos embora um tanto constrangidos, quando já dentro do elevador, em meio às gargalhadas, sentimos o cheiro à nossa volta: estávamos, assim como o elevador, Amanhecidos como jamais estivemos antes!


Parque Industrial - Tom Zé

É somente requentar e usar
Porque é made, made, made, made in Brasil

Retocai o céu de anil, bandeirolas no cordão
Grande festa em toda a nação.
Despertai com orações o avanço industrial
Vem trazer nossa redenção.

Tem garotas-propaganda
Aeromoças e ternura no cartaz,
Basta olhar na parede,
Minha alegria
Num instante se refaz
Pois temos o sorriso engarrafado
Já vem pronto e tabelado
É somente requentar e usar,
É somente requentar e usar,

Porque é made, made, made, made in Brazil

A revista moralista
Traz uma lista dos pecados da vedete
E tem jornal popular que
Nunca se espreme porque pode derramar.

É um banco de sangue encadernado
Já vem pronto e tabelado,
É somente folhear e usar
Porque é made, made, made, made in Brasil
Made in Brasil


Ouça: Parque Industrial (Tom Zé)
Veja: Flores do Amanhã (Zhang Yang)
Leia: On The Road (Jack Kerouack)



Comments:

Domingo, Julho 15, 2007


Tom Zé - A Briga Do Edifício Itália Com O Hilton Hotel

O Edifício Itália
Era o rei da Avenida Ipiranga:
Alto, majestoso e belo,
Ninguém chegava perto
Da sua grandeza.
Mas apareceu agora
O prédio do Hilton Hotel
Gracioso, moderno e charmoso
Roubando as atenções pra sua beleza.

O Edifício Itália ficou enciumado
E declarou a reportagem de amiga:
Que o Hilton, pra ficar todo branquinho
Toma chá de pó-de-arroz.
Só anda na moda, se veste direitinho
E se ele subir de branco pela Consolação
Até no cemitério vai fazer assombração
O Hilton logo logo respondeu em cima:
A mania de grandeza não te dá vantagem
Veja só, posso até ser requintado
Mas não dou o que falar
Contigo é diferente,
Porque na vizinhança
Apesar da tua pose de rapina
Já andam te chamando
Zé-Boboca da esquina

E o Hilton sorridente
Disse que o Edifício Itália
Tem um jeito de Sansão descabelado
E ainda mais, só pensa em dinheiro
Não sabe o que é amor
Tem corpo de aço,
Alma de robô,
Porque coração ele não tem pra mostrar
Pois o que bate no seu peito
É máquina de somar.

O Edifício Itália sapateou de raiva
Rogou praga e
Até insinuou que o Hilton
Tinha nascido redondo
Pra chamar a atenção
Abusava das curvas
Pra fazer sensação
E até parecia uma menina louca
Ou a torre de Pisa
Vestida de noiva



Comments:

Quinta-feira, Julho 12, 2007


Tempo

Acabou de chegar. Não é nada demais, só o cartão do meu dentista desejando feliz aniversário (que por sinal não é hoje).

O cartão que eu sempre jogo fora, dessa vez deixei em cima da estante da sala. De maneira inconsciente.

Na data que marca o meu nascimento, que pessoas estarão ao meu lado agora? Vou comemorar? De que maneira?

Cada aniversário é uma lembrança simbólica que fica armazenada na nossa ilha de edição, chamada memória. E que guarda pistas sobre os diferentes períodos por que passamos.

Uma metonímia, um recorte daquele pedaço de vida. Da sua vida.

Ouça: I'll see you soon (Cold Play)
Veja: Cão sem dono (Beto Brant e Renata Ciasca)
Leia: O casamento (Nelson Rodrigues)



Comments:

Segunda-feira, Julho 02, 2007


Somos (quase) todos mutantes

E o Circo demonstrava que isso era verdade. A platéia tranquila, chegava vagaroza e calma, numa quantidade rara de se ver hoje em dia em shows aclamados.

A noite começou com uma sonzeira que ia de Led Zepellin, passando por Beatles e Raul e desenbocando em Jimi Hendrix. Introduzindo o clima psicodélico.

Foi então que tudo se fez festa, num clima dionisíaco.

E quando, já na finalização, Sérgio Dias apresentou a banda, foi que eu percebi:

'(...) eu sou o Sérgio Dias e nós somos os Mutantes. Vocês também'.

Ouça: Não vá se perder por aí (Mutantes)
Veja: Sons da alma (Kaige Chen)
Leia: O menino no espelho (Fernando Sabino)



Comments:



eXTReMe Tracker

This page is powered by Blogger.