Bom mesmo é acordar domingo e, sem nem ao menos tirar a cabeça do travesseiro ou levantar da cama, ligar a televisão e dar de cara com Woody Allen na MGM: "Noivo neurótico, noiva nervosa" (1977)
Excelente pedida! Fica aí a indicação.
Ouça: Primeiro andar (Los Hermanos)
Veja: Roma (Christine Moore)
Leia: Consumidores e cidadãos (Néstor García Canclini) posted by RFerraz
3:18 PM
O silêncio precede o esporro, assim como a tempestade antecede a bonança. Pois foi assim que a semana começou. Melancólica. E, no entanto, acabo de chegar de um momento quase mágico.
Depois de um começo de semana cinzento e frio, eu vi Chico Buarque passar pela Lapa.
A noite tinha lua cheia e céu azul em plena noite. Isso mesmo! Assim estava a praça, abaixo dos arcos, iluminada por um luar que reluzia gente carioca se agasalhando do frio. Mas com um sorriso besta estampado na cara.
Tá certo: o Circo Voador era quase uma área VIP. Essa palavra tosca e ao mesmo tempo tão carregada de simbolismo nos tempos atuais: Very Important Person. Nossa sociedade anda realmente 'vipocêntrica'. Dizem por aí que nem o carnaval há de escapar...
Em frente ao Circo, porém, embaixo dos arcos, o telão reunia uma galera aclimatada. A ponto do próprio Chico agradecer alegre ao microfone, depois de algumas músicas, a cantoria dos poucos bárbaros além dos limites da 'lona voadora'.
A Lapa, que anda pra lá de estigmatizada, parecia ter voltado aos velhos tempos do samba na batida da caixinha de fósforo. Eu, um quase recém 'descabaçado' da música do Chico (uns 7 anos talvez) fui longe ao som de 'João e Maria'. Que era cantarolada por algumas dezenas de pessoas ao redor, entorpecidas por um clima de Lapa 'parisiense' envolta de arte.
Discretamente, Chico se foi.
E deixou um recado de Rio de Janeiro um pouco mais carioca e natural.
O dia em que a Lapa absorveu Chico. E Chico abençoou a Lapa.