Cotidiano Crônico
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Quinta-feira, Novembro 30, 2006


Nós e eles

E depois de tudo somos apenas homens comuns
Eu e você
Só Deus sabe que não é isso o que escolheríamos fazer

'Avante!' ele gritou lá de trás, e a linha de frente morreu
E o General sentou-se,
E as linhas no mapa se moveram de um lado para o outro

Preto e azul
E quem sabe qual é qual e quem é quem?
Pra cima e pra baixo
E no fim é só ao redor e ao redor e ao redor

'Você não ouviu?' 'É uma batalha de palavras', gritou o carregador de cartazes.
'Ouça, filho' - disse o homem com a arma - 'há lugar pra você lá dentro'.

'Quero dizer, eles não vão matar você aí. Se você lhes der um golpe rápido, curto, afiado, não farão mais.
Entendeu? Quero dizer... ele se mandou rapidinho, pois eu teria lhe dado uma surra - só o acertei uma vez!
Era só uma diferença de opiniões, mas francamente...
Quero dizer... boas maneiras não custam nada, custam?'

Pra baixo e por fora;
Não há nada que se possa fazer, mas tem muito disso por aí
Com, sem.
E quem vai negar que é este o motivo de toda briga?

Saia do caminho! Este é um dia cheio
Tenho coisas em mente
Por querer saber o preço de chá e uma fatia,
O velho morreu.

Tradução de Us and Them (Pink Floyd, The dark side of the Moon)

Ouça: Freedom (Jimi Hendrix)
Veja: Machuca (Chile / Espanha, 2004 - Andrés Wood)
Leia: 7 pecados do capital (Organização: Emir Sader)



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Sexta-feira, Novembro 10, 2006


Segundo Plano

A evolução do homem é inacreditável às vezes. Tanto pelo que trouxe de positivo quanto pelos aspectos negativos. E nesse ponto a tecnologia é, sem dúvidas, a menina dos olhos de nossa espécie.

Gabamo-nos por conseguir tornar, através de incríveis ferramentas como o celular e o microondas, nossas vidas mais simples e fáceis. Não é isso?

É.

Eu que o diga, andando num dia chuvoso como o de hoje pela rua, divagando ao som do MP3 e olhando as pessoas se espremendo em guarda-chuvas e pontos de ônibus.

Mas tudo vem ao chão quando passa por mim um velho homem de chapéu, roupa clássica e sapatos, pedalando sua Barraforte num ritmo constante e negligente.

Sem guarda-chuva.

'Queremos saber,
O que vão fazer
Com as novas invenções
Queremos notícia mais séria
Sobre a descoberta da antimatéria
e suas implicações
Na emancipação do homem
Das grandes populações
Homens pobres das cidades
Das estepes dos sertões

Queremos saber,
Quando vamos ter
Raio laser mais barato
Queremos, de fato, um relato
Retrato mais sério do mistério da luz
Luz do disco voador
Pra iluminação do homem
Tão carente, sofredor
Tão perdido na distância
Da morada do senhor

Queremos saber,
Queremos viver
Confiantes no futuro
Por isso se faz necessário prever
Qual o itinerário da ilusão
A ilusão do poder
Pois se foi permitido ao homem
Tantas coisas conhecer
É melhor que todos saibam
O que pode acontecer
Queremos saber, todos queremos saber'


Queremos Saber - Cássia Eller

Ouça: Autumn Leaves (Miles Davis)
Veja: Pão e Rosas (Ken Loach - 2000)
Leia: A companheira de Viagem (Fernando Sabino)




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