Sou ex-aluno seu de Cultura Brasileira, da PUC-Rio.
Aproveito para lhe dizer que o senhor foi sem dúvida um dos meus grandes mestres da época de faculdade. Sei que não era aparente. Eu, um recém universitário ainda descompromissado e desprovido de um mísero caderno de anotações não era, ao menos a olhos superficiais, seu mais dedicado aluno.
Mas devo lhe confessar que por diversas vezes anotava em pedaços de papel suas idéias que me pareciam mais inteligentes por serem, paradoxalmente, tão óbvias. Mesmo tendo a plena consciência que, na grande maioria das vezes, elas pouco tinham a ver com o conteúdo específico que possivelmente cairia numa prova.
Eis que dia desses encontrei uma de suas falas transcritas por mim, numa folha amassada dentro da velha mochila da faculdade. Lembro que na ocasião discutíamos sobre o emprego banalizado da palavra 'Ética'. Você disse:
'A ocorrência desregrada e repetida de uma palavra nos diversos contextos sociais ocorre normalmente quando seu verdadeiro significado está ausente, esquecido ou deformado, precisando ser insistentemente lembrado'.
E olha só que ironia do destino. Ontem, voltando de ônibus do trabalho pela Rua Mariz e Barros, deparei-me com um letreiro gigantesco: 'ÉTICA IMOBILIÁRIA'.
Isso mesmo professor: ética virou nome de imobiliária!
Um saudoso abraço.
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O sorriso estendia-se tanto que parecia querer ir além do rosto daquele - agora mais do que nunca - menino. O meu grande amigo Maurício Coutinho sorria agora como eu não via há tempos. Talvez desde a jovialidade explosiva anestesiada em algum lugar de nossa adolescência.
A arte possui esse poder entorpecente: rejuvenesce, transgride, transcende.
E foi assim, empunhando apenas sua guitarra e suas idéias que passou cerca de 1 hora em cima de um palco. Expondo-se a julgamentos alheios, ele, sua banda e sua arte.
Achei aquilo tudo o máximo. Obviamente já fui a outros shows do meu nobre amigo. Mas esse foi especial não só pela beleza, mas pela alegria pura e espontânea que exalava de cada verso, cada nota. Potencializada por um público composto, em sua maioria, por amigos e familiares que lançavam boas vibrações no ar. Talvez alguns por demagogia, outros não. Que seja. Tudo isso ficou pequeno demais.
Acho que arte e amizade andam assim mesmo, lado a lado. Ambos celebram a inocência, a irresponsabilidade de sentir e expressar sem medo. Afloram, enfim, o que ainda há de 'ser' no nosso 'ter' humano.
Sempre bom presenciar essas revoluções pessoais...
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