Invariavelmente acontece. A seqüência é a seguinte: instala-se na areia, lança-se uma visão crítica sobre o mar, alongamento e água! (não sem antes uma benção, claro).
Mas a melhor parte, a que realmente faz a essência do surf na minha opinião, são os singelos momentos entre uma onda e outra, sentado na prancha. Boiando e esperando a próxima série. Deixando-se levar. Cabeça longe.
Claro as ondas são, e sempre serão, o clímax. Mas sentado lá, distante da areia e da nossa realidade terrena e firme, paradoxalmente, já tomei decisões e obtive certezas.
A água que flui embaixo de meus pés ilustra a principal condição da vida. O ritmo do mar traz novas idéias e concepções. E leva embora paradigmas antes intransponíveis.
A gaivota, como sempre faz, mergulha ao meu lado. E emerge com um peixe na boca. Penso que, naquele fugaz instante, somos cúmplices. Alimento minha alma também do mar. A ave sai voando, levando em si sua certeza que, por instantes, invejo. E deixa-me ali sozinho, divagando acerca de meu próximo vôo.